Sobre

A fotografia entrou em minha vida muito cedo, como compensação de uma grande frustração da minha mãe: Existe (existia?) apenas uma foto dela quando criança, perdida na casa de uma irmã distante.

Decidida a não me fazer passar pela mesma “ausência de história registrada”, não houve um só momento importante (ou não tão importante assim) da minha infância que deixou de ser catalogado por falta de um dos saudosos cartuchos 126, em stand-by na nossa Kodak Instamatic 177xf. Ou dos filmes 35mm, mais tarde, na Yashica. O fato é que eu cresci nesse ambiente em que a fotografia tinha um nível muito profundo de valor e isso naturalmente me influenciou. Lembro de ficar insistindo para me deixarem “tirar foto” e não ter mais de cinco anos quando, finalmente, confiaram a caixinha em minhas mãos.

Tão marcante daqueles tempos quanto fotografar pela primeira vez, era o processo que acontecia todas as vezes que íamos revelar os filmes: Levar até a loja, proteger o recibo com a própria vida, esperar o que parecia uma eternidade, voltar pra pegar o envelope no dia marcado e reunir TO-DA a família para mostrar os resultados. Haviam muitas delícias naquela época argêntica, mas ter que estar junto para compartilhar fotos era a maior delas! Ver a reação das pessoas ao vivo, sabe?! Eu amava aquilo…

Porém, não demorou para que as imagens digitais invadissem minha adolescência. Quando surgiram celulares com câmeras, mal podia conter a ansiedade pra ter um. Meu pai deu um jeito nisso com o Motorola C650. Pouco tempo depois, ganhei minha primeira câmera digital, uma Kodak EasyShare Cx7300. Dessa vez, foi minha mãe que deu um jeito, me tornando a fotógrafa oficial da turma do colégio. Risos. Houveram novas câmeras e equipamentos com investimentos próprios, mas nunca vou esquecer o quanto meus pais, no limite do orçamento deles, me incentivaram e impulsionaram na fotografia sem nem se darem conta disso.

A partir de 2011-12, comecei a levar essa arte mais à sério. Iniciei meu movimento dos simples registros familiares e de amigos para os estudos de composição, técnicas, equipamentos e linguagem fotográfica. Nesse sentido, devo muito aos fotógrafos maravilhosos que conheci no Pernambuco Foto Clube, por terem feito e continuarem fazendo toda a diferença na forma como encaro escrever com a luz.

Hoje, me reconheço como uma entusiasta que adora captar pessoas e a interferência delas no mundo. Suas narrativas e personalidades não me deixam passar muito tempo longe da posição de disparo e, por isso, achei importante criar um site onde eu pudesse compartilhá-las, tendo a certeza que, através delas, também estou me documentando da forma mais verdadeira possível. Espero que essa página te traga beleza, reflexão, alegria, inspiração, conhecimento e, principalmente, a certeza de que você é uma história que merece ser registrada.

Grande abraço!

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Luri Barbosa por Francisco Cribari.