Reencontrando a natureza

O último fim de semana me proveu uma experiência maravilhosa: Percorrer quatro trilhas dentro do Parque Nacional do Catimbau, localizado principalmente em Buíque, cidade do agreste pernambucano.

O Vale do Catimbau é o segundo maior parque arqueológico do Brasil e me surpreendi com a energia existente no lugar. É maravilhoso ver as pinturas rupestres e perceber que nossos antepassados já tinham a necessidade de registro do cotidiano e de comunicação através de imagens, muito antes da escrita. A capacidade de síntese e efetividade em passar a mensagem da galera 4.000 AEC, inclusive sendo compreendidas até hoje, é de bater palmas de pé! Já no meu caso, considerada produto de “milênios de evolução” desde então, mal sabia por onde começar com tantas possibilidades de imagens maravilhosas. Rs.

Ah, fica o adendo que nos horários programados pela agência de excursão para as trilhas, não é tarefa simples fazer boas fotos sob o sol forte da região. O melhor é acampar e sair para expedição bem cedinho, o que farei dentro de pouco tempo se o bolso deixar.

Mas vamos ao que interessa?

Saímos de Recife por volta das 6:30h da manhã do sábado com destino a Arcoverde, cidade próxima onde ficamos hospedados. Às 11:30h já estávamos almoçando para às 12h encararmos mais duas horas no micro-ônibus até o Catimbau. Vários quilômetros de estrada de terra depois, chegamos ao ponto inicial da primeira trilha do dia, que tinha uma vista lindíssima da Serra de Jerusalém.

Catimbau-1

Uma das primeiras paradas foi na “Pintura dos Homens Sem-Cabeça”: Existem muitas teorias sobre o motivo das pessoas terem sido representadas sem essa parte do corpo, mas é bem claro na figura que se tratava de uma batalha entre grupos distintos. O material utilizado era o óxido de ferro disponível em rochas da área.

Catimbau-2

Ao longo da trilha, os guias nos relembraram que o bioma da Caatinga é patrimônio exclusivamente brasileiro, sendo encontrado apenas nos estados do nordeste e ao norte de Minas Gerais.

Catimbau-4

Minha amiga Flávia, companheira de aventuras, cercada pela vegetação da região.

Sabe a Serra de Jerusalém lá do início?! Ela é majestosa e ocupa uma grande faixa de extensão no parque, sendo possível visualizá-la em vários trechos de diferentes trilhas.

Catimbau-5

Mas foi na “Trilha da Igrejinha” que descobri minha formação rochosa preferida: Este templo aborígene monumental! Não parece?!

Catimbau-33

Até consigo visualizar nossos antepassados cultuando deuses, oferecendo sacrifícios ou coisas do gênero nesse lugar…

Ali perto também situa-se a famosa “Pedra Furada”. Fiz algumas tentativas de fotografar minha amiga de um ângulo diferente do tradicional, procurando evitar que as outras 48 outras pessoas que estavam fazendo fila atrás aparecessem. Quase consegui. Rs.

Catimbau-8

Catimbau-7

Acredita-se que essa formação aconteceu na época que o sertão era fundo oceânico e, devido as chuvas e erosão, ela tenha tomado esse aspecto.

Lembra do meu “templo aborígene”? Foi justo sobre ele que fomos ver o sol se pôr, logo depois!

Catimbau-9

Essa era a paisagem que tínhamos de cima.

Catimbau-10

Ela inspirou muita cantoria…

Catimbau-11

… E agradecimentos pelo presente.

O melhor é que tudo isso foi só o primeiro dia. O segundo nos reservava muitas outras boas surpresas…

No entanto, ele começou assim:

Catimbau-12

Com uma ressaca enorme do dia anterior! Até Flávia estava quietinha quando a Serra de Jerusalém começou a despontar na paisagem…

Catimbau-13

Tenho certeza que o vale sentiu a moleza geral e resolveu não demorar nas boas-vindas: Havia um campo com centenas de borboletas nos esperando e que animou todo mundo! Algo que nunca vi antes, muito lindo! O pessoal da agência disse que era a primeira vez que presenciavam aquilo e eu só consegui agradecer nossa sorte. Os guias do parque comentaram que sempre acontecia depois da chuva e havia chovido poucos dias antes, fazendo as flores desabrocharem e atraindo-as.

Catimbau-14

Catimbau-15

Com aquilo, eu acreditava que a natureza já tinha dado seu melhor e estava muito satisfeita, mas ela não cansava de me surpreender! Logo avistamos uma suntuosa Barriguda, árvore da família dos Baobás. Como não lembrar “daquele” livro querido?

Catimbau-16

Também demos de cara com o “bacupari”, fruto que eu nunca havia ouvido falar e me informaram curar várias doenças. Ele é até estudado para a cura do câncer de tão poderoso!

Catimbau-18

Quem o está segurando é a Brenda, conheci durante a viagem.

E a gente continuou subindo… Somente para que uma vista magnífica do parque começasse a surgir diante dos nossos olhos.

Catimbau-19

Aquela formação com pontinha é a Pedra do Cachorro. O ângulo dessa trilha não favorece ver a figura, mas é perfeita.

Aproximadamente na metade do caminho, demos uma parada para fotos e vento. Sim, surpreendentemente vento, muito vento, um oásis de vento, aliviando gostosamente a temperatura.

Catimbau-37

Até que, finalmente, completamos os 150 metros de ascensão e à 940 metros acima do nível do mar, pudemos contemplar o parque inteiro de cima. Nem consigo explicar a sensação maravilhosa que preenche a gente!

Catimbau-22

Fabio arteiro não se conteve e foi até a pontinha do abismo, para desespero dos guias.

Catimbau-32

Perto dali estavam as afamadas torres. Segundo Flávia, “as pirâmides do Egito”.

Muita contemplação do vale e das torres depois, começamos a descida, que tinha uma parte bem estreita e não contava com equipamento de segurança algum, mas desceríamos novamente se fosse para encontrar aquele paredão de arenito colorido impressionante!

Catimbau-34

Catimbau-35

Catimbau-36

Catimbau-24

Catimbau-25

Porém, sabíamos que ele era indicativo que a trilha estava acabando e a saudade já foi batendo… Ao completar o roteiro, mal acreditamos quando olhamos para trás e vimos o que alcançamos sob o sol torrante.

Catimbau-30

“Foi ali naquela pontinha que estávamos.”

Por fim, assinamos com o maior orgulho do mundo o livro de visitantes do vale, já nos perguntando quando voltaríamos lá.

Catimbau-31

Só espero que seja muito em breve!

4 comentários sobre “Reencontrando a natureza

  1. Fátima Barbosa disse:

    A natureza é perfeita, é nosso Brasil é tudo isso
    E muito mais…
    Parabéns minha filha, as fotos ficaram lindas!!!
    Essa é Larissa, muito perfeccionista….

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s